sexta-feira, 19 de agosto de 2011

A miséria maior é a miséria moral; Gandhi nos ensina


Apesar de toda evolução tecnológica com enormes avanços e grande progresso, a humanidade está muito distante de resolver uma velha questão: a miséria que aflige milhões de pessoas em todo mundo e também no Brasil.

Neste ano, estimativas de especialistas afirmam que cerca de 18 milhões de pessoas morrerão vítimas de motivos relacionados à pobreza, sendo predominantemente crianças e mulheres. Por dia, 50 mil pessoas perdem a vida em consequências diretamente relacionadas à miséria.

Mais de um bilhão de seres humanos vivem com menos de R$ 1,60 por dia, isso é um sétimo da humanidade inteira.

Além da fome, a falta de moradia e a ausência de qualquer forma de acesso à educação compõem um panorama para lá de infernal na vida de tantos e tantos.

Diariamente, centenas de jornais impressos de todo mundo, emissoras de rádio, televisão, portais noticiosos publicarão páginas, anunciarão e dedicarão grande espaço na divulgação das cotações e variações das bolsas de valores, das commodities, das variações das moedas, demonstrando perdas e ganhos no mercado financeiro. Além disso, especialistas em economia vão discutir a situação econômica e todos os seus índices. No entanto, deveríamos dedicar muito mais espaço para os indicadores sociais que são os que realmente importam. Esses, praticamente ficarão fora da mídia.

Um excelente indicador é o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), que visa a aferir alguns itens além de aspectos econômicos, mas também com relação a características sociais, culturais e até políticas que compõem a vida e a qualidade do desenvolvimento dos homens em seus respectivos países e cidades.

A população brasileira, no índice divulgado em 2010, apresenta um IDH que a posiciona na 73ª colocação no mundo, com desenvolvimento inferior à média dos países da América Latina, embora os índices da produção da riqueza nos posicionem como a 7ª mais rica economia do planeta no ano passado.

Nosso país, atualmente, é o terceiro maior exportador de alimentos do mundo, atrás apenas dos EUA e da União Europeia. Também é o maior exportador de carne bovina e de frango, sendo líder ou se mantendo entre os três maiores produtores de grãos no mundo nas principais culturas. O agronegócio no Brasil detém praticamente 30% da produção da riqueza no país e no PIB nacional.

No entanto, apesar dessa fartura na produção, convivemos simultaneamente com situações de miséria extrema no nosso país. Especialistas defendem que a pobreza deve ser combatida com base no crescimento econômico, isso nunca se confirmou na medida em que a acumulação de 90% da riqueza se concentra em apenas 10% da população ou menos. Na outra ponta, temos outros 10%, ou cerca de 20 milhões de brasileiros, vivendo na indigência e pobreza absoluta, sem possibilidade de inserção social plena em curto e médio prazo. Não podemos esperar mais nada.

Existem inúmeros motivos que poderíamos apontar para essa situação. Jogar a culpa em modelos, sistemas, formas de governo, na democracia, já que nem ela, nem regimes de exceção, extinguiram as grandes vergonhas humanas. É verdade que existem desvios enormes pela corrupção. Aliás, convivemos há séculos com a corrupção em todas as formas de governo ao longo da história.

Também não sejamos pessimistas, pois muito de bom foi conquistado. Existem excelentes programas de distribuição de renda e acesso ao alimento. O Bom Prato, no Estado de São Paulo, atende 47 mil pessoas diariamente que podem almoçar com dignidade a R$ 1. 

Em Ribeirão Preto, é só passar na rua Saldanha Marinho, 765, próximo à hora do almoço, e ver a enorme fila de pessoas que talvez não teriam como se alimentar. São, aproximadamente, 1.440 cidadãos que têm esse almoço subsidiado em nossa cidade. No total, o Estado possui 33 restaurantes do tipo.

O programa Bolsa Família, do governo federal, atende em Ribeirão Preto em torno de 12 mil famílias.  No Brasil inteiro, o programa atende a aproximadamente 12 milhões de famílias.

Fora isso, existem ONGs, entidades religiosas diversas, programas voluntários e muita gente dando duro para amenizar o sofrimento alheio.

Apesar disso tudo, ainda é muito pouco e estamos muito distantes do ideal e isso é uma vergonha para todos nós. Pois é como se esse gravíssimo problema não existisse ou fosse invisível e talvez até simplesmente fingimos que não é problema nosso. Isso é a miséria moral a qual me refiro.

Estamos perdendo a noção de certo e errado, convivemos tanto com mendigos e indigentes na rua que estamos perdendo a capacidade de sentir compaixão e misericórdia. Convivendo tanto com a violência urbana, que passamos a crer que se nos encastelarmos em prédios e condomínios com muros altos, cercas elétricas e câmeras de vigilância, estaremos seguros, como nos castelos da idade média.

É hora de dizermos basta. Temos de fiscalizar nosso poder público, claro. Cobrar, acompanhar e participar efetivamente da vida política, pois o combate à miséria deveria ser a maior prioridade do nosso governo e dos dirigentes de todo planeta. Estamos muito longe disso. Tanto o poder público quanto nós, individualmente.

Não adianta mais jogarmos a culpa na ineficiência dos nossos mandatários, do sistema político, nem nos corruptos, nem ao poder econômico e muito menos à péssima distribuição de riqueza e renda. Então onde está o problema?

Eu gostaria de falar apenas de um motivo especificamente. A miséria moral, ou seja, a culpa é nossa, é minha também.

A falta de amor ao semelhante, ou seja, não temos a capacidade de praticar a caridade, que nada mais é do que colocar nosso amor em ação.

Amar ao semelhante como nos ensinam as diversas religiões praticadas em todo mundo é sentir misericórdia, compaixão, se indignar e se mover em prol do outro, daquele que necessita.

Não fomos capazes ainda de aprender o resumo básico de duas linhas que Jesus Cristo nos ensinou e praticou há mais de 2 mil anos.

Amar a Deus, nos fazendo seres iguais entre todos, irmãos, e amar ao semelhante como a nós mesmos.

Esse amor surge da indignação com a fome do outro, da misericórdia pela criança abandonada, da vontade de praticar o amor na sua plenitude, que deriva na caridade verdadeira e desinteressada.

Perdemos a noção de que as crianças estão abandonadas nas ruas à sua própria sorte e destino, se transformando em marginais e em futuros algozes que vão roubar e muitas vezes matar.

Delegamos responsabilidade apenas aos governos para solução dos nossos verdadeiros e gravíssimos problemas sociais, querendo nos isentar e, de certo modo, fugir das nossas responsabilidades de cidadãos do mundo.

Enquanto tivermos crianças, mulheres e homens morrendo em função da miséria não temos o direito da paz interior e devemos sim, através da nossa indignação, agir efetivamente e começar a mudar e ganhar esse jogo. A luta merece ser vencida. A luta contra a fome, a miséria, ao acesso ao saneamento básico e saúde, a educação, salvar vidas que estão perdidas para a miséria. Queremos no Brasil a “copa do mundo do amor”, essa queremos vencer.

Basta analisarmos nossa distribuição de tempo, quantas horas do nosso tempo nos dedicamos a ajudar alguém ou participamos de alguma ação que possa, de forma efetiva, melhorar a vida de outro ser humano?

Creio que é possível mudar as coisas, basta criarmos a nossa agenda positiva, a nossa agenda do bem.

Existem dezenas de formas de colaborar, de ajudar, de fazer uma pequena ou grande contribuição. Ela começa com a nossa indignação, a partir do instante que aceitarmos a nossa miséria moral e começamos a mudar como indivíduos. A partir dessa modificação, o nosso exemplo poderá mudar muita coisa para um, dois e 200 milhões de pessoas no mundo e fazermos a revolução do bem e do amor ao semelhante.

Se isso é possível?

Eu sei que é. Quem falou isso foi a figura iluminada de Mahatma Gandhi, a grande alma que ajudou a libertar a Índia pregando a não violência e o amor. Ele nos disse “Acredito na essencial unidade do homem, e portanto na unidade de todo o que vive. Desse modo, se um homem progredir espiritualmente, o mundo inteiro progride com ele, e se um homem cai, o mundo inteiro cai em igual medida”.

A partir dessa coluna, pretendo publicar a “agenda do bem”. São oportunidades para ajudar instituições, trabalhos assistências, entidades diversas e até fazer doações. Se você conhece instituições sérias e quiser divulgá-las para outras pessoas, escreva para gente. Não importa sua crença, nem sua religião, importa apenas a vontade de ajudar a quem precisa que é o que realmente importa.

Que Deus nos abençoe, pois ele nos ajuda sempre - ainda que não percebamos, e conta conosco para sermos a sua mão, a mão que se estende e que pode amparar àqueles que nada têm além da esperança.

“Agenda do bem”
- PARA DOAR SANGUE:
Centro Regional de Hemoterapia do HCFMRP-USP
Rua Tenente Catão Roxo, 2501 – Telefone: (16) 2101-9300
Informações diversas e agendamento pelo telefone: 0800-979 6049
http://pegasus.fmrp.usp.br/projeto/guiadoad.htm
http://www.hemocentro.fmrp.usp.br/projeto/redesocial/habitual.html
Obs.: Para quem não pode doar, existe também um programa de voluntariado do Hemocentro. Acesse: http://www.hemocentro.fmrp.usp.br/projeto/redesocial/voluntario.html
- PARA SER DOADOR DE ÓRGÃOS:
Organização de Procura de Órgãos (OPO) do HC-RP
Telefone: (16) 3602-2777

Transplante de córnea: (16) 3633-1322 ou 3602-2521
http://www.hcrp.fmrp.usp.br/sitehc/informacao.aspx?id=82&ref=7&refV=37

Cadastro de doadores
http://www.adote.org.br/cadastro_doadores.php
- PARA SER VOLUNTÁRIO NO HOSPITAL DO CÂNCER DE RIBEIRAO PRETO:
Rua Octávio Martins Braga, 50 - Residencial Flórida Ribeirão Preto
Telefones: (16) 3878-9700
contato@hcancerderibeirao.org.br
Voluntariado: http://www.hcancerderibeirao.com.br/amigos-voluntariado/
Doações: http://www.hcancerderibeirao.com.br/quero-doar/
- PARA SER VOLUNTÁRIO NO HOSPITAL DAS CLÍNICAS DE RIBEIRAO PRETO:
CENTRO DE VOLUNTARIADO
Serviço Social – (16) 3602-2344 (andreiabossa@hcrp.usp.br)
Para ajudar é preciso ser maior de 18 anos.
A permanência máxima no hospital é de 3h e a frequência é de no máximo duas vezes por semana. Áreas de leitura de histórias para crianças e ensino de artesanatos.

DOAÇÕES
Serviço Social – (16) 3602-2344
- Alimentos não perecíveis
- Brinquedos novos (o hospital não recebe objetos usados devido ao risco de contaminação)
- etc.
- PARA SER DOADOR DE MEDULA ÓSSEA:
Cadastro pelo telefone 0800 979 6049
Para mais informações acesse:http://www.hemocentro.fmrp.usp.br/projeto/redesocial/medula.html
- PARA DOAR ALGUM VALOR AJUDAR POPULAÇÃO DA SOMÁLIA:
Pela Cruz Vermelha: http://www.cruzvermelha.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=215

Pelo Unicef:
http://www.unicef.org/brazil/pt/media_21268.htm
- PARA DOAR ALIMENTOS AS FAMÍLIAS CARENTES DE RIBEIRÃO PRETO:
BANCO DE ALIMENTOS DE RIBEIRÃO PRETO
O Banco de Alimentos de Ribeirão Preto atende entidades assistenciais distribuindo cestas básicas emergenciais a famílias em situação de risco.
Unidade I: Avenida Bandeirantes, 285 - (16) 3941-5158
Unidade II: Rodovia Anhanguera, Km 322, no Ceagesp - (16) 3638.2885
http://www.ribeiraopreto.sp.gov.br/principaln.php?pagina=/scidadania/balimento/i27p-banco.htm
- PARA AJUDAR NA PROTEÇÃO DA ECOLOGIA
Greenpeace Brasil: http://www.greenpeace.org/brasil/pt/Participe/Voluntario/
WWF Brasil: http://www.wwf.org.br/participe/seja_um_afiliado/
- PARA AJUDAR CRIANÇAS ÓRFÃS:Carib - Centro de Abrigo e Apoio à Adoção de Ribeirão Preto
Telefone: (16) 3626.7511 - info@carib.org.br
Rua Ametista, 920 - Campos Elíseos
http://www.carib.org.br/
- PARA PARTICIPAR COMO VOLUNTARIO NA CVV (CENTRO DE VALORIZAÇÃO DA VIDA):
O Centro dá cursos para seleção de voluntários e podem se inscrever homens e mulheres com 18 anos completos ou mais.
Rua Mariana Junqueira, 729 - Centro
(16) 3636-4111 - ribeiraopreto@cvv.org.br
http://www.cvv.org.br/site/seja-voluntario.html
- PARA SER VOLUNTÁRIO NA (O)...
APAE RIBEIRÃO PRETO
O interessado em ajudar deve ir até a instituição e preencher uma ficha. Quando a APAE necessitar da ajuda de voluntários, ela entra em contato.
R. Coracy de Toledo Piza, 571 - Ribeirânia
(16) 3512-5200 – escola@apaerpo.org.br
http://www.apaerpo.org.br/apae/emails.html
HOSPITAL DE RETAGUARDA FRANCISCO DE ASSIS
Interessados em ajudar devem visitar a instituição para conhecê-la e preencher uma ficha.
Rua Luiz Záccaro, 53 - Solar Boa Vista
(16) 2102-5757 / (16) 3919-1718
http://hrfranciscodeassis.com.br/pagina_pt/

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