Prefeitura confirma alta, mas contesta dados do Governo do Estado
A taxa de mortalidade infantil em Piracicaba saltou de 9,04 óbitos por mil nascidos vivos em 2009 para 10,4 mortes no ano passado, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (26) pela Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados). A prefeitura contesta os dados do órgão, apesar de confirmar a elevação. Dados da Secretaria Municipal de Saúde, segundo a assessoria de imprensa da pasta, apontam que a taxa saltou de 9,4 para 10,2 óbitos no referido período.
O índice é considerado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) o principal indicador das ações de saúde pública. A taxa – relação entre o número de óbitos de crianças menores de um ano ocorridos em determinado período e o número de nascidos vivos no mesmo período, multiplicada por mil – é muito utilizada para avaliar as condições de vida e de saúde de uma população.
O número de crianças mortas saltou de 45 em 2009 para 48 no ano passado. No mesmo período, o registro de crianças nascidas caiu. Foram 4.789 crianças nascidas em 2009 e 4.724 crianças em 2010. O número de óbitos é contabilizado em três períodos: neonatal precoce (menos de sete dias), neonatal (de 0 a 27 dias) e pós-neonatal (de 28 dias até menos de um ano).
Prefeitura contesta dados do Estado
A reportagem do EP Piracicaba tentou, em mais uma matéria, contato com o secretário da pasta, Fernando Cárdenas, mas soube da assessoria que o secretário não estava disponível para entrevista. No entanto, o secretário falou com a prefeitura e informou, por meio de nota enviada pela assessoria, que a Secretaria Municipal de Saúde discorda de dados sobre a taxa de mortalidade.
“Não é a primeira vez que a imprensa é levada a erro quando se trata do índice de mortalidade infantil de Piracicaba ou região, que agrega outras cidades. A declaração é de Cárdenas, ao tomar conhecimento de que havia aumento do índice no município. Novamente, ele disse que os membros do ‘Pacto contra a mortalidade infantil’ irão questionar dados da Fundação Seade e a Secretaria Estadual de Saúde, como no passado, para que o erro seja corrigido”.
Segundo o secretário, “desde 2005, Piracicaba vem reduzindo consideravelmente a mortalidade infantil. Se no final do governo passado (2004), o percentual era de 14,9, em 2010, este índice caiu para 10,2 e poderia ter sido menor se também não tivesse caído o número de nascimentos. A nota diz ainda que Cárdenas apresentou dados que comprovam que nos últimos anos, com a ação do Pacto, foram salvos 137 bebês”.
Na região de governo de Piracicaba, que congrega mais municípios, o índice de 2010 foi 12,6% menor que em 2000. No ano passado foram registrados 12,5 óbitos de crianças menores de um ano de idade a cada mil nascidas vivas. Em 2000, esse índice era de 14,3. No entanto, entre 2009 e 2010, houve crescimento da taxa de 9,79 para 12,5 na região.
Motivos
As causas de morte perinatais (mortes relacionadas a problemas na gravidez, no parto e no nascimento) e as malformações congênitas são responsáveis por 80% das mortes infantis ocorridas no Estado de São Paulo, segundo a Fundação Seade. Em consequência, 48% dos óbitos infantis acontecem antes da primeira semana de vida e 68,5% nos primeiros 27 dias de vida.
Isso mostra que a manutenção do decréscimo da taxa de mortalidade infantil depende da continuidade das ações de saúde já implementadas e da ampliação daquelas dirigidas à maior cobertura e qualidade da atenção ao pré-natal, ao parto e ao recém-nascido.
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