segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Choque e luto em Teresópolis.

Prefeito interino morre de infarto, aos 68 anos. Não foram nem 48 horas no poder
Teresópolis - O médico ortopedista Roberto Pinto (PR), 68 anos, que assumiu interinamente a Prefeitura de Teresópolis na sexta-feira, morreu na manhã de ontem, menos de 48 horas depois da posse. Vice-prefeito da cidade, Robertão, como era conhecido, passou mal em casa no fim da noite de sábado e foi levado, por volta das 3h de ontem, para o Hospital São José, onde infartou e morreu às 7h25.
Foto: Alexandre Vieira / Agência O Dia
Foto: Alexandre Vieira / Agência O Dia
“Ele estava bem e muito feliz. Assumir a prefeitura era o sonho dele. Infelizmente, ele não viu a cidade do jeito que queria: organizada, bonita, com as pessoas felizes”, disse, muito emocionada, Sandya Pinto, 33, viúva de Robertão. 

A morte do prefeito interino deixou a cidade em choque. Robertão era tratado como a esperança de mudança no cenário político de uma cidade ainda traumatizada pelas chuvas de janeiro e que viu o prefeito Jorge Mário (ex-PT, agora sem partido) afastado por 90 dias na última terça-feira por suspeita de desvio de dinheiro destinado à recuperação da cidade. 

O corpo de Robertão foi velado na prefeitura até as 17h, quando foi levado no carro do Corpo de Bombeiros ao Cemitério Municipal e enterrado às 17h30m. Minutos depois, já reunidos na Câmara, os vereadores da cidade fizeram um minuto de silêncio e deram posse ao presidente da Casa, Arlei de Oliveira (PMDB), 35, como novo prefeito interino. A primeira medida de Arlei foi decretar luto oficial por três dias, além de ponto facultativo em repartições públicas hoje. Arlei vai exonerar os secretários nomeados por Robertão e se reunir com os vereadores para montar um novo secretariado. Jorge Mário, que tenta conseguir uma liminar para voltar ao poder, divulgou nota ontem lamentando a morte de seu vice.

Segundo médicos, coração não suportou a pressão

Aos 68 anos, cardíaco, Robertão foi vítima do que os médicos chamam de “gatilho”. “Qualquer estresse emocional em uma pessoa que já é cardíaca é um gatilho para o infarto. Ele já estava passando por muita tensão, mais ainda ao assumir o cargo de prefeito”, opina Felipe Baptista, cardiologista da Unidade Coronariana do Hospital do Andaraí. “Qualquer coisa que aumente os batimentos cardíacos como a emoção pode causar um infarto”, avalia Paulo Sant’Ana, Presidente do Departamento de Hipertensão Arterial do Estado do Rio. 

Desde que rompeu politicamente com o prefeito Jorge Mário, em 2009, Robertão trabalhava em constante tensão, causada pelos conflitos entre os dois. Na terça-feira, a Câmara Municipal afastou, por 90 dias, o prefeito Jorge Mário, suspeito de desviar dinheiro público destinado à recuperação da cidade, destruída após as chuvas de janeiro. 

Robertão seria o sucessor natural de Jorge Mário. Mas não foi tão fácil. Na sexta-feira, ao ser empossado prefeito interino, foi obrigado a despachar de uma mesa em frente ao prédio porque foi impedido de entrar por aliados do prefeito afastado. Foi dali que demitiu todo o secretariado. Sua entrada só foi possível por ordem judicial. No sábado, também trabalhou como prefeito. À noite, começou a passar mal. 

A maior tragédia climática já registrada no País


No início do ano, o município de Teresópolis, na Região Serrana do Rio, foi completamente destruído pelas chuvas, que afetaram, principalmente, a área mais alta da cidade.
 
Na época, especialistas afirmaram que foi a maior tragédia climática já registrada no País. Os deslizamentos de terra e enchentes mataram mais de 300 pessoas. Cerca de 30 mil sobreviventes ficaram desalojados ou desabrigados. Serviços como água, luz e telefone foram interrompidos, e estradas, interditadas.

Escolas, ginásios esportivos e igrejas viraram abrigos. Hospitais ficaram lotados na primeira semana. Cerca de 15 dias depois da catástrofe, doenças como leptospirose (provocada pelo contato com a urina de rato) começaram a assolar a população.
 
O comércio da região também sofreu e teve um prejuízo estimado em R$ 8 milhões. Os setores mais afetados foram os das confecções e o agrícola, que ficou comprometido, principalmente, nas propriedades de pequenos produtores. 

Arlei de Oliveira: “Não estou sendo prefeito por acaso. Deus está nisso”

“Não estou sendo prefeito por acaso. Deus está nisso. Foi a vontade Dele. Sei da responsabilidade que está sendo atirada em meus ombros, mas tudo vai dar certo.

Fui pego de surpresa tanto com a morte quanto com a nomeação. Mas vou encarar o desafio e reconstruir a cidade de Teresópolis. Talvez até siga algumas metodologias adotadas por Roberto.”

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