quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Carlos Grana liga imagem ao 'PT da classe média'


Ex-presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos, o deputado estadual Carlos Grana (PT-Santo André) - que muitos sequer acreditavam que asseguraria cadeira na Assembleia - vem conseguindo o que até bem pouco tempo soava como inimaginável: atropelar o suplente de deputado federal Vanderlei Siraque (PT) e garantir para si o posto de candidato a prefeito de Santo André no ano que vem.
Por mais que tente espernear e a todo custo dar a impressão de que não aceitará a indicação na cidade, Siraque sabe que não há outra alternativa a não ser barganhar algo para não sair do embate de mãos vazias. Tenta garantir agora uma vaga na Câmara Federal, já que, como primeiro suplente, assumiria comando de um gabinete se parlamentar do partido for encaixado, por exemplo, em algum posto do governo federal.
Mas o que faz Grana tomar a dianteira e praticamente assegurar a missão para o próximo ano não é exatamente seu passado político de sindicalista e sim o que se espera de seu futuro na legenda, direcionado para um público-alvo definido.
O objetivo do parlamentar estadual é seguir a cartilha adotada pelo seu padrinho político, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele precisou perder três vezes a eleição para o Planalto para perceber que sem discurso que agradasse à classe média não teria vez, por mais que tivesse fantástica história no sindicalismo nacional. Lula alterou não só o discurso, mas o tom da voz, o corte do terno e ganhou ar de senhor ponderado. O rancor nesse Lula deixou de existir. O estilo bonachão prevaleceu. Some-se a isso a escolha de um industrial para ocupar a vice, nas duas vezes em que saiu vitorioso nas urnas.
Com isso, ganhou a simpatia da classe média e até eleitores do público A/B. O medo, propagado por Regina Duarte na campanha, foi embora. Lula fez um governo com foco no social, mas não deixou de falar com a classe média, dizendo para esse povo ir às compras, no discurso de ‘pobre também pode'.

MENOS VERMELHO
Bastava, então, encontrar candidatos que pudessem traduzir essa mensagem. Viu em Luiz Marinho - ministro de seu governo - a chance de o partido voltar a comandar São Bernardo. Sem sucesso com Vicentinho por duas vezes, Lula identificou a necessidade da fala fácil com a classe média da cidade. A exemplo de Carlos Grana, falta a Marinho o carisma de Lula, mas o ensinamento foi aprendido: falar diretamente com quem decide a eleição. A vitória de Dilma ratificou a mudança de paradigma do PT.
E Siraque, por mais que também tenha trajetória vitoriosa no partido, ainda traz a imagem do PT do sindicalismo, do PT nervoso, às vezes até truculento.
O prefeito de Santo André, Aidan Ravin (PTB), e o vereador Paulinho Serra (PSDB) - que tenta deixar em pé sua vontade de sair a prefeito - sabem que o discurso classe média do PT pode tirar votos de ambos, principalmente do indeciso, que exerga na imagem do consenso, do diálogo e não no racha, no fogo amigo, a chance de ver um PT diferente no comando da cidade.

Bancada endossa coro pró-deputado


Mesmo adiando o posicionamento oficial em relação aos dois postulantes do PT ao Paço andreense para 2012, a bancada da legenda na Câmara explicitou, em levantamento realizado pela equipe do Diário, que o caminho mais viável seria a concretização do nome do deputado estadual Carlos Grana. Sem desmerecer a força do ex-deputado Vanderlei Siraque, os vereadores disseram que Grana agregaria tanto interna como externamente para arregimentar aliados.
Jurandir Gallo avalia que para o PT conquistar capilaridade com chance de retomar a Prefeitura, o partido necessita realizar aliança nos moldes incorporados à campanha de Dilma Rousseff (PT), em 2010. "Neste sentido, Grana soma se puder ser o nome que reúne outras lideranças e siglas. Ele agrega força política e social, atributo que o Siraque tem mais dificuldade."
Para Jairo Báfile, o Jairinho, apesar de Siraque ser gabaritado, Grana leva vantagem, salientando que maioria no diretório apoia sua candidatura. "Na oportunidade, ele é a bola da vez. Conversa em todos os segmentos, sempre militou em Santo André e mora na Vila Bastos. O Siraque já foi candidato (em 2008). Queremos voltar a sorrir com o Grana."
Outro ponto favorável para o lado de Grana se dá por conta das duas desistências internas. A primeira foi da ex-vice-prefeita Ivete Garcia (PT), que retirou o nome e deve anunciar oficialmente nos próximos dias a adesão para Grana, além do ex-chefe do Executivo João Avamileno. Ele definiu no sábado que vai trabalhar em prol da eleição do deputado.
Cláudio Malatesta, integrante da ala de Avamileno, enfatizou que vai seguir mesmo rumo do companheiro. "Tendência do grupo com a saída (do páreo) do João é ir com o Grana."
José Montoro Filho, o Montorinho, por sua vez, componente da raia de Ivete, deixou escapar sua preferência ao citar que antes de se posicionar quer conversar com Siraque. "Temos de sair unidos para derrotar o atual prefeito (Aidan Ravin, PTB). O Grana poderia ajudar neste aspecto."
Na concepção de Tiago Nogueira, Grana tem melhor diálogo para dentro e fora do partido. Ele cita que a intenção do bloco não é criar atmosfera de constrangimento, só que limite da decisão do PT teria de sair na próxima reunião, dia 1º de setembro. "Não vamos forçar ninguém a abrir mão do processo, no entanto hoje está claro clima pró-Grana inequívoco na bancada."
Segundo o líder do PT no Legislativo, Antonio Leite, tem sido evidente adesão em torno do deputado. Leite considera que o consenso tende a enrijecer a campanha e que papel do bloco será aparar arestas identificadas com a desistência de Avamileno. "Está fresco. Vamos reunir terça-feir a bancada, que é instância institucional forte, para levar adiante o posicionamento."

Nenhum comentário:

Postar um comentário