terça-feira, 6 de setembro de 2011

Inflação oficial acumula alta de 7,2% até agosto, a maior em 8 anos

A inflação acumulada em 12 meses até agosto pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a chamada inflação oficial, é a maior em oito anos. Segundo dados divulgados nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no período de um ano, até agosto, a variação de preços no País foi de 7,23%. A maior variação acumulada neste mesmo intervalo até então havia sido registrada em 2003, quando o IPCA teve avanço de 15,07% pelo critério anualizado.

No mês, o indicador teve alta de 0,37%, a maior para o perído em quatro anos. Em julho, a variação havia sido de 0,16%. Segundo o IBGE, no acumulado do ano, de janeiro a agosto, o índice de preços teve avanço de 4,42%, a maior alta para o período em três anos.

Inflação oficial

Variação do IPCA no mês, no ano e em 12 meses até agosto


Fonte: IBGE


Esse cenário de forte aceleração dos preços no mercado interno coloca pressão no Banco Central, e levanta algumas dúvidas no mercado financeiro sobre o comportamento do BC, que na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), na semana passada, reduziu em 0,5 ponto percentual a taxa de juros Selic, de 12,5% para 12% ao ano.

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Na quinta-feira, a autoridade monetária divulgará a ata do último encontro que difiniu o novo rumo da taxa de juros no País.

A meta de inflação oficial definida pelo Banco Central para 2011 é de 4,5%, com margem de dois pontos percentuais para cima ou para baixo.

O IPCA é calculado pelo IBGE desde 1980 e se refere às famílias com rendimento de 1 a 40 salários mínimos, qualquer que seja a fonte, e abrange nove regiões metropolitanas do País, além do município de Goiânia e de Brasília.

Para cálculo do índice do mês foram comparadas as variações de preços entre 28 de julho a 26 de agosto com os preços vigentes entre 29 de junho a 27 de julho.

Alimentos em alta

Segundo o IBGE, os preços dos alimentos, que haviam registrado queda de 0,34% em julho, voltaram a subir de forma significativa em agosto, atingindo 0,72% de variação e causando impacto de 0,17 ponto percentual, o que representa 45% do índice referente ao mês passado.

Vários produtos registraram elevação de preços, com destaque para as carnes (de -1,12% para 1,84%), que exerceu o principal impacto individual no índice de inflação de agosto.

Os gastos com habitação também subiram no mês passado (de 0,27% de julho para 0,32% agosto), especialmente com o aluguel residencial (de 0,46% para 1,06%), que exerceu o segundo maior impacto no mês (0,03 ponto percentual), e com a taxa de água e esgoto (de 0,33% para 1,05%).

A alta dos eletrodomésticos (de -0,32% para 2,38%), com destaque para refrigerador (de -0,29% para 3,29%) e máquina de lavar (de -1,58% para 3,18%), influenciaram o resultado do grupo artigos de residência (de 0,03% para 0,57%), informou o IBGE.

Os artigos de vestuário (de 0,10% para 0,67%) também contribuíram para a maior taxa de agosto, com destaque para roupas femininas (de -0,26% para 1,18%) e masculinas (de 0,19% para 0,75%), refletindo o fim das promoções de inverno e entrada da coleção primavera-verão.


Os salários dos empregados domésticos (de 1,26% para 0,72%), embora tenham continuado em elevação, subiram menos do que no mês anterior. Mesmo assim, o grupo das despesas pessoais (de 0,49% para 0,50%) apresentou resultado muito próximo ao do mês anterior, já que outros itens mostraram aceleração, a exemplo, dos serviços de cabeleireiros (de –1,10% para 0,97%).
As despesas com transportes em agosto se destacaram pelo movimento de queda no período (de 0,46%, em julho, para -0,11%). Segundo o IBGE, este fato ocorreu devido à redução das tarifas aéreas (de 3,20% para -5,95%), dos preços do automóvel novo (de -0,05% para -0,37%) e usado (de -0,47% para -0,61%), das tarifas dos ônibus interestaduais (de 5,80% para 0,23%), do seguro de veículos (de -0,04% para -0,88%), além da gasolina (de 0,15% para -0,14%). No caso do etanol (de 4,01% para 0,30%), embora sem apresentar redução de preços, mostrou forte desaceleração na taxa de crescimento.
Os índices regionais apontam que a maior variação foi registrada na região metropolitana do Rio de Janeiro com alta de 0,47% no mês passado em virtude do reajuste de 8,80 na taxa de água e esgoto (7,62%) e pela alta nos preços dos alimentos (1,13%). A menor variação de preços no mês passado foi verificada em Porto Alegre (0,14%).
INPC
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) variou 0,42% em agosto, acima do resultado de 0% de julho. Com isto, o acumulado do ano está em 4,14%, acima da taxa de 3,24% relativa a igual período de 2010. Considerando os últimos 12 meses, o índice acumula alta de7,40%, acima dos 12 meses imediatamente anteriores (6,87%). Em agosto de 2010 o INPC havia ficado em -0,07%.
Os produtos alimentícios apresentaram variação de 0,70% em agosto, enquanto os não alimentícios aumentaram 0,30%. Em julho, os resultados ficaram em -0,54% e 0,24%, respectivamente.
Dentre os índices regionais, o maior foi registrado na região metropolitana do Rio de Janeiro (0,66%) em virtude do reajuste de 8,80 % ocorrido em primeiro de agosto no valor das tarifas da taxa de água e esgoto (7,62%) e também pelos alimentos (1,02%). Curitiba (0,02%) apresentou a menor taxa, onde os alimentos variaram 0,14%.
O INPC é calculado pelo IBGE desde 1979 e se refere às famílias com rendimento de 1 a 6 salários mínimos e abrange nove regiões metropolitanas do País, além de Goiânia e de Brasília.

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