Pequim - Um submarino chinês conseguiu pela primeira vez descer com tripulantes a bordo a mais de 5.000 metros de profundidade, dentro do programa da China para explorar os recursos do fundo dos oceanos, informou a Agência dos Assuntos Marítimos (SOA).
O "Jiaolong", nome inspirado num dragão da mitologia local, alcançou os 5.057 metros com três tripulantes e manteve-se a esta profundidade durante meia hora. A imersão durou um total de seis horas, informou a SOA no seu site.
A operação foi realizada sob as águas do nordeste do Oceano Pacífico, segundo a agência Nova China, que indica que a esta profundidade o submarino chinês é capaz de alcançar 70 por cento dos fundos oceânicos do planeta.
Depois da volta do "Jiaolong" à superfície, a televisão estatal difundiu imagens da tripulação carregando uma bandeira chinesa.
Na quinta-feira passada o mesmo submarino havia alcançado os 4.027 metros de profundidade.
Nas últimas décadas, a China recuperou frente aos países desenvolvidos uma parte de atraso no campo da exploração marinha, polar e espacial, convertendo-se em 2003 no terceiro país do mundo a enviar um homem ao espaço.
No âmbito das profundezas marinhas, a China é o quinto país a superar a barreira dos 3.500 metros em missões com tripulação, afirmou a imprensa local.
O recorde de descida pertence a um submergível americano que, em 1960, chegou ao final da fossa das Marianas, a 11.000 metros abaixo da superfície do mar das Filipinas.
O "Jiaolong", desenhado para superar os 7.000 metros de profundidade, está destinado à pesquisa científica e à exploração das riquezas naturais dos fundos marinhos.
Os cientistas acham que estes fundos marinhos contém reservas potenciais de valiosos minerais, apesar de a profundidade em que se encontram tornar difícil extraí-los em grandes quantidades.
Para Jian Zhimin, director de um laboratório de geologia marinha da Universidade Tongji de Xangai, não vai demorar muito para a China desenvolver a mineração nestas profundidades.
A parte meridional do Mar da China, que Pequim reivindica total ou parcialmente, possui importantes reservas de petróleo e gás.
Também há quem expresse preocupação pelos possíveis usos militares dos avanços tecnológicos destas pesquisas por Pequim.
A descida a 5.000 metros de profundidade do submarino chinês aconteceu depois que os meios de comunicação japoneses afirmaram este ano que Tóquio planeava intensificar a sua busca de minerais submarinos.
Dessa forma, pesquisadores japoneses afirmaram ter localizado no fundo do Pacífico amplas reservas de terras raras, substâncias utilizadas para electrónica de alta tecnologia.
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