
Em matéria de violência, tem acontecido de tudo Bahia.
É só lembrar o que ocorreu na semana passada na Região Metropolitana de Salvador (RMS). Tentativas de sequestros na Pituba, uma jovem assassinada em Lauro de Freitas, um músico agonizando na UTI de um hospital, após levar um tiro na cabeça numa tentativa de assalto, policial morto por bandidos em Camaçari, saidinhas bancárias, turistas apavorados.
No interior do estado, é uma covardia. Os bandidos humilham o Estado e suas instituições: invadem delegacias, incendeiam viaturas da polícia, deitam e rolam nas agências do Banco do Brasil para desespero de milhões de cidadãos de bem - hoje reféns do medo e entregues à própria sorte.
Uma anarquia, uma verdadeira guerra civil.
E o que mais impressiona: a incapacidade do governo baiano de agir, reagir, apontar soluções, se antecipar, investigar, prender bandidos, amenizar o sofrimento da população. Em outras palavras: cumprir a sua obrigação constitucional.
Ainda recordando a semana passada: enquanto o pau quebrava nas ruas, o governador Jaques Wagner desperdiçava parte do seu tempo ao lado de Lula, surfando na popularidade do ex-presidente. Se divertiu com Dona Canô, deu boas risadas, fez política, mas esqueceu de se indignar com a matança e cobrar da SSP eficiência e soluções urgentes para - ao menos - reduzir a selvageria.
Governador Wagner, a Bahia vive uma grave e dolorosa crise na área de segurança pública. Grave, não, gravíssima. O setor está desmoralizado e desacreditado. Ninguém respeita, ninguém acredita, ninguém confia. E não adianta - e não pega nem bem - ficar apontando o crack como o único vilão.
É preciso ampliar as campanhas de desarmamentos, reforçar o policiamento no interior e, quando necessário, ir para o confronto sim, como tem feito o governo do Rio. Chega de tanta tolerância com bandidos cruéis. É pedir demais?
O certo é que o setor precisa ser reinventado já. De preferência, ainda em seu governo. Milhões de baianos - boa parte deles seus eleitores - esperam mais do gestor Wagner e aguardam que a tradição pacifista da Bahia volte a brilhar.
E tenha certeza de uma coisa, governador: todos - com raríssimas exceções - estão vivendo apavorados.
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