sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Dia da caça : Policial é preso após matar assaltante alegando legítima defesa

Ganhou repercussão no Facebook o caso de um policial rodoviário no Pará, que foi preso porque acabou matando um assaltante, mesmo justificando legítima defesa respaldado por depoimentos de testemunhas. No entanto, questões políticas estariam por trás da prisão dele.

O texto abaixo foi enviado ao Blog por um policial rodoviário de Petrolina, que achou pertinente levar a conhecimento da população. Confiram:

Há alguns dias acompanho o sofrimento de um verdadeiro guerreiro, um dos mais respeitados e capacitados policiais que tive o prazer de ser aluno. Ao ver um indivíduo apontando a arma para quatro adolescentes, cônscio do seu dever de intervir e prender aquele infrator que ameaçava a vida de outras pessoas deu voz de prisão ao mesmo, que reagiu, apontando a arma para o policial, mas o bandido acabou baleado e veio a falecer.

Logo após o colega chamou a polícia e o socorro médico. Fez todos os procedimentos corretos. Apresentou-se espontaneamente. Todas as testemunhas confirmaram a versão de legítima defesa. Entretanto, devido o criminoso ser correligionário do partido da prefeita de Santarém ( PA), que é promotora, acusaram-no de execução, mesmo que tudo que está nos autos aponte ao contrário.

Após duas trocas de delegado, encontraram um que cedesse às pressões político-sociais e indiciasse o policial por homicídio doloso. Ele ouviu todas as testemunhas novamente, pois a única saída para incriminar o Carlos André era que uma delas mudasse o seu depoimento, já que todas em seu primeiro testemunho disseram de forma uníssona e sem contradições que houve legítima defesa. O infrator estava com álcool no sangue e sua arma raspada tinha sido utilizada recentemente, como aponta a perícia.

Todas as provas apontam para a absolvição sumária do colega. Subitamente uma das testemunhas resolve mudar seu depoimento exatamente nos pontos que caracterizam a legítima defesa, como se tivesse sido assessorada. O delegado, em seu relatório, conclui que TODAS AS OUTRAS TESTEMUNHAS, MESMO MANTENDO SEUS DEPOIMENTOS A FAVOR DA LEGÍTIMA DEFESA E SEM CONTRADIÇÕES ESTARIAM MENTINDO E DEVERIAM SER INCRIMINADAS POR FALSO TESTEMUNHO, e que a prisão do Carlos André deveria ser convertida de temporária para preventiva, pois ele fugiu do distrito da culpa, mesmo tendo se apresentado espontaneamente ao delegado de Polícia Civil após o fato e não ter sido flagrado por legítima defesa e liberado, sendo recomendado pelos próprios policiais a se ausentar da região para preservar a sua vida.

Hoje ele está preso, como se fosse o criminoso o qual o abordou e que teve a coragem de intervir na sua prática delituosa. Quanta inversão de valores! Quanta injustiça!

Continuo tendo orgulho do que faço e da nobre missão que tenho. Profundamente decepcionado e envergonhado, entretanto, como cidadão que acreditava na Justiça e no Direito. Gostaria de falar a qualquer cidadão de bem que a qualquer momento pode ser abordado por criminosos e ter a sua vida subtraída pelos mesmos: sinto-me triste ao dizer que, há alguns dias atrás, se estivesse passando pela rua fora de meu serviço sem pestanejar agiria; infelizmente, não por falta de coragem, mas por simplesmente não saber se serei eu o preso depois de tudo, hoje, no mínimo, eu pensaria em tudo o que meu colega está passando. Essa “Justiça” vem fazendo que muitos policiais acabem acreditando que se eximir, infelizmente, é a melhor opção.

Que Deus ajude a todos, nós policiais, que, muitas vezes, só contam com o apoio de sua própria consciência

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