sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

'Na minha ótica, fim da greve está decretado', diz comandante da PM

O comandante geral da Polícia Militar, coronel Alfredo Castro disse na manhã desta sexta-feira (10) que para o Comando da Polícia Militar a greve já não exisite mais. "Tudo tem começo, meio e fim. Na minha ótica, o fim da greve está decretado. Existe uma pequena minoria que resiste à convocação do comando da PM. O que está acontecendo agora, a partir de hoje, é que o comando está tomando como ausência ao serviço e vai abrir um processo admnistrativo para avaliar as punições", disse. O corte no ponto dos grevistas não será retroativo.
Corte no ponto
O Comando da Polícia Militar da Bahia, através da assessoria de comunicação, informou na manhã desta sexta-feira (10) que os policiais militares grevistas que não se apresentarem ao trabalho até o meio-dia terão os dias cortados na folha de ponto e poderão responder a processo administrativo disciplinar. Segundo o anúncio, a ausência de punições assegurada pelo governo do estado através de anistia teve o prazo encerrado na quinta-feira (9).
O comandante geral da Polícia Militar, coronel Alfredo Castro, marcou entrevista coletiva para o fim da manhã desta sexta-feira, quando pretende fornecer detalhes sobre a situação atual do movimento grevista no estado.
A greve da PM começou no dia 31 de janeiro, após decisão de integrantes da Associação de Policiais e Bombeiros e de seus Familiares do Estado da Bahia (Aspra), cujo presidente, Marco Prisco, foi preso na quinta-feira (9), durante desocupação do prédio da Assembleia Legislativa da Bahia.
Oficiais
Policiais militares filiados à Associação dos Oficiais da PM da Bahia (AOPMBA) se reuniram na noite de quinta-feira (9) e decidiram não aderir à greve de parte da categoria. "Nós estamos juntos com seis associações e todas são a favor do fim da greve, embora a proposta do governo, principalmente a questão salarial, não atenda às nossas necessidades", disse Edmilson Tavares, presidente da AOPMBA. Convocada em caráter extraordinário, a reunião teve 205 participantes: 151 votaram contra a greve e 54 foram favoráveis.
Também na noite de quinta-feira, a assessoria do governo do estado reafirmou que o governador Jaques Wagner não apresentará uma nova proposta aos PMs. De acordo com a Secom, não há orçamento para ceder um aumento superior aos 6,5% propostos. O pagamento das Gratificações por Atividade Policial, as chamadas GAPs, que estão entre as reivindicações dos grevistas, também só poderão ser pagas a partir de novembro deste ano.
Embora a Assembleia Legislativa tenha sido desocupada na manhã de quinta-feira, a greve foi mantida na Bahia. Policiais vinculados à Associação de Policiais e Bombeiros e de seus Familiares (Aspra), grupo que liderava a ocupação, passaram o dia reunidos no Sindicato dos Bancários, no Largo dos Aflitos, em Salvador.
Os oficiais da PM, que preferem negociar sem cruzar os braços, dizem colocar o bem da população em primeiro lugar. "Nossa intenção não é enfraquecer o movimento, mas não podemos paralisar nossas atividades prejudicando o povo baiano, o povo baiano já sofreu muito. Agora é momento de união, de reconstruir", disse Edmilson Tavares.
Tavares se mostrou surpreso ao ser informado por jornalistas, ao fim da reunião, que a categoria entrou em greve no Rio de Janeiro. "Não, o comando aderiu? Estou sabendo agora, mas infelizmente há uma orquestração dessas greves. Quando o movimento começou, sem a nossa participação, nós sempre fomos mediadores, e nós estamos assim, não podemos deixar o povo sofrer, nossa decisão foi em favor do povo", afirmou.
O presidente da Associação também comentou as gravações telefônicas nas quais Marco Prisco incitaria ações de vandalismo no período de greve. "Ainda não deu para mensurar como refletiu na corporação, mas há um clima de revolta. Porque ele usou policiais militares nesse movimento e muitos em confiança a ele, que o tempo todo ele negou que estava fazendo esse tipo de atividade criminosa. Acho que ele utilizou os policiais militares que estavam insatisfeitos com o governador do estado", avalia. 
Embora a Associação tenha 1.700 membros e um mínimo de 340 agentes devessem votar, 20% do número total, a votação foi considerada legítima, por se tratar de uma convocação extraordinária. O comandante geral da PM, Alfredo Castro, participou do encontro e antecipou a votação com um discurso a favor do término da greve, de acordo com a assessoria da AOPMBA.

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