Ano novo é época de promessas, de tentar fazer diferente o que não deu certo no ano que passou. Nos primeiros dias de 2012, pelo menos 2.783 baianos tiraram da imaginação o desejo de traição reprimido, criaram coragem, assumiram o frio na barriga e deram o pontapé inicial para uma relação extraconjugal.
A rede social The Ohhtel, especializada em proporcionar o contato com sigilo absoluto entre os infiéis, contabilizou um pico de 2.283 novos usuários no estado entre o dia 1º e quarta-feira, 4. O site Ashley Madison recebeu a inscrição de cerca de 500 baianos nos dois primeiros dias do ano.
Segundo pesquisa realizada pelo The Ohhtel, a maior do país em número de usuários (404 mil), 74% dos novatos afirmaram nunca ter traído antes. O perfil destoa do que era registrado até então, quando 90% dos usuários confessaram que já traíam antes de filiar-se à rede social, e a ferramenta apenas encurtava e deixava mais seguro o caminho para o pecado.
“Foram pessoas que, forçadas a passar o Natal com uma pessoa que não gostam mais, passam o Ano-Novo e falam que não dá. As expectativas não são atendidas e as pessoas vêm para o nosso site. No Natal, as pessoas estavam voltadas para família e o acesso caiu. Nos quatro últimos dias do ano, foram apenas 168 cadastros na Bahia. No Reveillon tem uma retrospectiva, e elas percebem que estão infelizes”, explica a vice-presidente do The Ohhtel no Brasil, Laís Priolli.
Medo
É o caso de Mariana, 35 anos, que se entende como uma mulher “muito determinada”, que quer “alguém que me faça sentir viva” e por isso decidiu fazer sua inscrição na rede social na terça-feira, 3. Em resposta a um convite para uma conversa, ela disse estar “megacarente”, mas foi cautelosa antes do primeiro contato telefônico. “Posso te pedir uma coisa? entenda... queria ver sua foto... pois fico preocupada... você pode me conhecer... sei lá”, duvidou, para em seguida ceder.
É o caso de Mariana, 35 anos, que se entende como uma mulher “muito determinada”, que quer “alguém que me faça sentir viva” e por isso decidiu fazer sua inscrição na rede social na terça-feira, 3. Em resposta a um convite para uma conversa, ela disse estar “megacarente”, mas foi cautelosa antes do primeiro contato telefônico. “Posso te pedir uma coisa? entenda... queria ver sua foto... pois fico preocupada... você pode me conhecer... sei lá”, duvidou, para em seguida ceder.
Em rápido telefonema no horário do almoço, porque o noivo chegaria em casa a qualquer hora, disse ser administradora de empresas, sem filhos, mas insatisfeita com o compromisso nupcial recém- reatado e em dúvida com o que fazer sobre o futuro. “Eu acabei há pouco tempo uma relação que me deixou muito decepcionada, meu noivo com quem namorei há 5 anos pediu para reatar e eu aceitei, mas eu estou muito confusa”.
Mariana conta que decidiu começar a trair no início do ano seguindo conselho de uma amiga. Durante praticamente todo o dia de ontem, apenas ela esteve online para bater papo no The Ohhtel na Bahia.
Tendência
A busca de novas experiências extraconjugais em relacionamentos estáveis, segundo a professora de Psicologia da Universidade Federal da Bahia (Ufba) Rosita Barral Santos Barros, é uma tendência desta geração.
A busca de novas experiências extraconjugais em relacionamentos estáveis, segundo a professora de Psicologia da Universidade Federal da Bahia (Ufba) Rosita Barral Santos Barros, é uma tendência desta geração.
“Os valores tradicionais de casamento e família, a relação com exigência de exclusividade, convive com relações pós-modernas. Este fenômeno no momento de passagem do ano novo não é de estar indignado com o relacionamento, mas no início do ano as pessoas estão buscando satisfação, o hedonismo, o prazer imediato, quer se sentir feliz.As pessoas, em geral, não buscam esses sites para terminar o casamento, mas para conseguir manter”, analisou.
Os dados confirmam a tese: segundo pesquisa realizada somente entre usuários baianos, 80% dos homens e 85% das mulheres nunca se divorciaram.
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