A decisão, portanto, ficou para o encontro de cúpula do grupo, a ser realizado nos dias 3 e 4 de novembro. "As discussões estão em andamento", disse o ministro de Finanças da França, François Baroin, em coletiva após a reunião realizada hoje, em Paris. Segundo ele, os participantes do encontro não chegaram a definir os valores que seriam necessários para o fundo, que hoje conta com US$ 400 bilhões.
Um reforço do fundo agora representaria um "momento Londres", como aponta a proposta brasileira, numa referência ao encontro realizado na capital britânica em abril de 2009, que definiu um aumento dos recursos do FMI de US$ 250 bilhões para US$ 1 trilhão. De qualquer forma, a decisão de fortalecer o fundo só será possível se a União Europeia conseguir chegar a um plano para solucionar sua própria crise. Medidas como a recapitalização dos bancos, ampliação do fundo de resgate europeu e a negociação sobre a dívida da Grécia estão sendo discutidas e devem ser definidas na reunião de cúpula da UE, em 23 de outubro. Amarrado, o G-20 pressiona e espera por definições.
Envolvidos em dificuldades fiscais, os Estados Unidos não querem colocar mais dinheiro no FMI, até porque isso teria de passar pela aprovação do Congresso, como lembrou Mantega. O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithner, avalia que o FMI já está preparado e não precisa de mais dinheiro. "Sabemos qual é a posição dos Estados Unidos", disse o ministro francês.
Para os países ricos, outra barreira seria o aumento do poder dos emergentes no fundo, que invariavelmente viria com as novas condições de crédito. Mantega fez questão de ressaltar que não deve haver atraso na implantação do cronograma de reforma do FMI, no qual os países em desenvolvimento ganham maior peso na distribuição de cotas.
O Brasil também apoia a sugestão da França de realizar uma nova emissão de direitos especiais de saque (SDR, na sigla em inglês), a " a cesta de moeda do FMI", como foi feito em 2009, para fortalecer as reservas do fundo. "O Brasil, como a França, acredita que o SDR é um elemento potencialmente fundamental na transição de longo prazo para um sistema monetário internacional mais balanceado, que reflete melhor a economia mundial cada vez mais multipolar", diz a proposta brasileira. O G-20 está discutindo a ampliação do número de moedas que formam o SDR, debate que deve prosseguir em Cannes.
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